Meio Ambiente 24/07/2026 00:17 | 41 visualizações
Em uma entrevista exclusiva ao Jornal PANORAMA, o engenheiro agrônomo Claudio Eduardo Silva Nadaleto, de 44 anos, compartilhou sua trajetória pessoal e profissional, marcada por uma profunda conexão com a natureza, e apresentou propostas inovadoras para o desenvolvimento sustentável do município de Tapiraí. Com 83% de seu território inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra do Mar, Tapiraí é um hotspot de biodiversidade na Mata Atlântica, mas enfrenta desafios para conciliar preservação com a prosperidade das comunidades locais. Nadaleto, mestre em agroecologia, defende um modelo que mantém a “floresta em pé”, transformando a rica biodiversidade em fonte de renda e qualidade de vida.
Nascido em Sertãozinho, no interior paulista, Nadaleto é filho de Claudio, corretor de imóveis, e Maria, ambos ainda residentes em sua cidade natal. Pai de três filhos – um deles falecido –, ele carrega raízes rurais profundas: seus avós eram agricultores em colônias de usinas de açúcar, praticando uma agricultura orgânica natural, com uso de esterco e cultivo diversificado de algodão, feijão, arroz, alho, café, gado leiteiro e hortaliças. “Cresci no sítio da família, nadando em açudes, pescando e com os pés na terra. Minha infância foi saudável, em contato direto com a natureza”, relatou Nadaleto, influenciado pelo pai, que só deixou o campo aos 30 anos para casar e migrar para a cidade.
Sua formação acadêmica começou em escolas particulares até os 17 anos, quando a crise econômica do governo Fernando Henrique Cardoso afetou os negócios familiares, forçando a transição para o ensino público. Graduado em Agronomia pela Unesp de Jaboticabal em 2005, Nadaleto criticou a “contaminação” do currículo universitário pela indústria do agronegócio, focada em adubos químicos e agrotóxicos derivados de tecnologias de guerra. “A revolução verde não foi para alimentar o mundo, mas para criar mercados para explosivos e armas químicas convertidos em insumos agrícolas”, afirmou. Sua virada veio em 2004, no quarto ano da faculdade, ao descobrir a agroecologia por meio de amigas ligadas à espiritualidade e cultivos alternativos. “Foi encantador; ampliou minha visão para além do convencional.”
Hoje, residente em Piedade, Nadaleto se distancia do “agro convencional”, que vê como alienado aos impactos ambientais e de saúde. “Muitos profissionais não percebem o prejuízo à coletividade, pois focados apenas em lucros, ignoram intoxicações e contaminação”, disse.
No coração da Mata Atlântica – declarada Patrimônio Natural e parte do primeiro Distrito Turístico Ecológico do Brasil, lançado em 2024 –, Tapiraí oferece um cenário ideal para as propostas de Nadaleto. Ele enfatiza um abordagem multidisciplinar, filosófica e prática, que supera crenças de escassez por meio da abundância vibracional da floresta. “Não somos feitos para uma vida miserável; precisamos virar chaves internas para prosperidade em todas as áreas: material, espiritual e ambiental”, explicou.
Suas propostas ampliam o conceito de “floresta em pé”, integrando resgate ancestral com ações concretas, alinhadas a legislações como o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e iniciativas estaduais. Em um modelo tabular apresentado durante a entrevista, Nadaleto detalhou eixos chave:
Resgate Ancestral e Etnobotânico – Trabalho antropológico para mapear usos históricos de plantas alimentares e construtivas, aproveitando-se da capilaridade das visitas realizadas pelos agentes de Saúde do Município.
Manejo Sustentável – Plantio de sementes na floresta sem corte; colheita de cachos para polpa e suco (mais nutritivo que açaí). Formação de cooperativas com despolpadeiras.
Merenda Escolar – Venda prioritária de polpa de juçara para escolas municipais, priorizando comunidades tradicionais.
Multiplicação de Espécies – Cursos de viveirismo para orquídeas, bromélias e folhagens nativas, sem extração predatória.
Ecoturismo – Capacitação de guias locais para birdwatching e trilhas; pousadas regenerativas.
Educação – Simpósios multidisciplinares com visitas a comunidades e escolas; currículo com agroecologia.
Plano de Manejo da APA – Atualização para enriquecer biodiversidade com nativas; foco no permitido pela lei.
Institucional – Liderança do Estado e município em pesquisa e extensão rural; interinstitucional com ONGs.
Nadaleto concluiu: “A solução está na memória da comunidade; resgatar o ancestral para virar a chave de problema para abundância”. Suas ideias ressoam com iniciativas como o Florestas Inteligentes da Facens, que une estudantes, setor privado e comunidades. Para o agrônomo, Tapiraí pode se tornar um exemplo de harmonia entre homem e natureza, gerando renda sem desmatamento. O Jornal PANORAMA acompanhará os desdobramentos dessas propostas.
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para deixar um comentário e avaliar esta notícia.
Fazer Login ou Cadastrar